viernes 13 de noviembre de 2009

Parte Dois - Ammachi







Eu tive conhecimento da existência de Ammachi por volta de agosto de 1997, por um amigo da Self Realization Fellowship. Ele soube que eu me identificaria com sua história de vida e me presenteou com sua biografia. Eu estava tão contente com Yogananda, que não estava procurando por outra coisa. Mas só de olhar para sua imagem antes mesmo de ler o livro ela me tocou. Fiquei imediatamente apaixonado pela vida. Naquele dia eu comecei a contar os dias para sua visita em novembro a San Ramon.

Cada palavra que eu li consegui extrair o mais profundo dela. A música que eu ouvi e as cerimonias que vi em um vídeo eram estranhas a mim no início, mas seu amor incondicional e presença divina, fizeram-me saber que esta era uma novidade pra lá de divina e que logo tudo se tornaria familiar para mim.


Após ler seus livros e saber que as pessoas choravam ao encontrá-la , eu estava um pouco nervoso, pois sabia que faria o mesmo, porque eu não posso esconder meu rosto. Quando fui para o meu primeiro Darshan, ela foi tão doce comigo. Esfregou as minhas pernas, braços, peito e sufocou o meu rosto todo com pasta de sândalo e cinzas sagradas. Foi incrível, mas eu não chorei e pensei que estava seguro. Mas quando minha cadeira de rodas se voltou a poucos metros e a vi abraçando meu pai, eu não me contive, cai em prantos . Por ver alguém tratar o meu grande herói , meu pai, resistente e esperto como um filhinho, uma criança amada, fiquei muito tocado com aquela imagem. Naquele momento meu pai não precisava ser o responsável, ele simplesmente podia apenas deitar no colo da Amma e se fazer amar. Então eu pensei : e ela faz isso por milhões de pessoas !!!
E não somente por este minuto ela toma para ela todas as nossas cargas de nossa vida, se nós a deixarmos, tomará todas nossas cargas para sempre não obstante se somos bons ou maus, nós somos seres da criação . Ela me olhou reconhecendo meus pensamentos com uma cara tão compreensiva e doce que me derreteu por dentro. Foi quando meu amigo Dave, friccionou meus ombros me trazendo de volta a realidade.

Antes de sua próxima visita em junho, eu estava tomando lortab (Vicadin líquido) quase todos os dias durante meses, para me livrar do meu nariz que ficava escorrendo intensamente. Eu estava me sentindo mal por não ter a força para parar, mas se eu não levasse este remédio, alguém teria que constantemente limpar meu nariz. Eu não queria usar o remédio na frente de Amma, então rezava para não precisar dele durante a sua visita. Oito dias antes de ela chegar eu fui capaz de parar de tomá-lo. Eu agradeci por passar as duas semanas sem o remédio, mas agora tem sido seis meses desde que não tomei mais nenhum medicamento, e nunca me sinto fraco para tomá-lo, então eu não preciso. Amma é a droga suprema.

Durante esta visita de junho eu tinha uns desejos secretos que não eram realmente grandes mas que eu não me sentiria confortável pedindo. Primeiro, eu tinha o desejo de Amma me entregar um beijo de chocolate. Ela dá a cada uma das milhares de pessoas que ela abraça e abençoa um abençoado Hershey's Kiss, mas quase nunca coloca em suas bocas. Eu a vi algumas vezes, mas no dia que eu tive o desejo secreto de ela colocar o beijo na minha boca, ela o fez. Coincidência? Ok...


O meu segundo desejo secreto pode parecer muito estranho para a maioria das pessoas e eu certamente não as culpo. A maior parte da minha vida espiritual começou como uma conversa comigo mesmo, eu só fiquei sintonizado e pensei, "vamos apenas apertar o gatilho e ter o divertimento e as respostas ". Eu sempre pensei que havia algo de falso, crítico e arrogante em assumir que você sabia de algo muito profundo e misterioso que ninguém dito normal realmente sabia. Mas é por isso que eu amo tanto Yogananda. Não importa qual seja sua fé , religião ou mesmo se você é um ateu ou agnóstico, como eu era, você pode provar cientificamente a existência de Deus para si mesmo, sem ter que se preocupar se você está colocando sua confiança em alguém que realmente não conhece a Deus. Yogananda dá técnicas científicas para conhecer a
Deus. Se praticado com fidelidade, eles não podem falhar, se você gosta de Yogananda ou não tampouco importa, simplesmente acontece. Outro pensamento que tive no passado foi que este mundo é tão grande, por que se preocupar encontrar Deus. Deus é infinito, mas uma maneira que eu consigo pensar para descrever o sentimento é um orgasmo de longa duração em cada célula do seu corpo e ser.


Então, meu desejo era ter um pouco de cabelo da Amma. Para muitas pessoas, há a energia, poder e amor de todo o universo concentradas em uma grande alma. Mesmo que suas células sejam diferentes. Para mim é como tocar o manto de Jesus. Minha oração foi respondida de duas maneiras. Nesse dia, ela pegou minha mão e a colocou na parte de traz de sua cabeça por alguns minutos. Mais tarde eu vi um amigo meu da Self Realization Fellowship, ele me deu um pedaço de cabelo de Yogananda. Eu nunca disse a ninguém anteriormente a minha vontade.


Desde aquele momento, eu já vi Amma muitas vezes mais. Há tantos milagres e eventos que acontecem em torno dela. Apenas quando penso nela, coisas incríveis acontecem. Existem tantas histórias, mas algo me faz não querer dizer-lhes ainda. Eu preciso absorvê-las dentro de mim primeiro.

domingo 11 de octubre de 2009

Jason Becker e Yogananda




Hoje irei contar a história de um músico muito especial, tanto em talento como em alma, sua história fala por si só. Jason perdeu todos seus movimentos; respira e é alimentado por um sistema de gastro alimentação , respira por traqueostomia; se comunica por um sistema de piscadas de olhos e movimentos oculares interpretados por uma tabela desenvolvida por seu pai.
Não me canso de afirmar a minha imensurável admiração por este ser humano chamado Jason Becker, que há mais de 20 anos tem sido uma fonte inesgotável de inspiração , tanto como ser humano, como musico ,sendo realmente uma das almas iluminadas que povoam este mundinho , sei que ele veio aqui pra dar uma linda lição de vida a nós pobres mortais que reclamamos de coisinhas pequenas e muitas vezes esquecemos de olhar pra traz e ver o exemplo de vida e de magnitude que temos por aí....
Acompanhei de perto todo o drama e vitoria da vida deste cara, como admiradora e fã, incluindo seu nome sempre em minhas preces e em minhas mentalizações em aulas e fora delas. Yogananda e Amma são seus amparadores e mestres, sei que ele hoje está mais que em boas mãos... lhes apresento o ser de amor e luz... JASON BECKER!!!


Jason Becker é um guitarrista neo-clássico que ganhou fama aos 16 anos como virtuoso. Ele nasceu em Richmond (Califórnia, Estados Unidos) em julho de 1969.
Seu pai, Gary Becker, que tinha estudado violão erudito, lhe deu uma guitarra quando ele tinha apenas 3 anos de idade, e começou a lhe dar aulas. Jason passou a praticar músicas de Bob Dylan, Eric Clapton, Jeff Beck e Eddie Van Halen, entre outros. Ele praticava durante horas a fio, e estudou a obra de Niccolò Paganini.
Jason conheceu Marty Friedman, e os dois se tornaram amigos rapidamente, pois compartilhavam das mesmas preferências musicais. Sob a produção de Mike Varney eles montaram a banda Cacophony, que gravou dois álbuns: Speed Metal Symphony, em 1987, e Go Off!, em 1988. Ele também lançou um álbum solo, Perpetual Burn, em 1988.
O Cacophony excursionou por vários países, notadamente no Japão e na Europa, onde Jason foi formando uma legião de fãs e admiradores, ao mesmo tempo em que influenciava jovens guitarristas.
Aos 20 anos, Jason foi convidado para a banda de David Lee Roth para substituir Steve Vai, que havia deixado o grupo. Ele começou a gravar o álbum A Little Ain't Enough em 1990, e ganhou o prêmio de "guitarrista revelação" da revista Guitar Magazine.
As coisas iam cada vez melhores para Jason até que, ainda durante as gravações de A Little Ain't Enough, ele começou a sentir uma espécie de fraqueza na perna esquerda. Era o início da manifestação da Doença de Lou Gehrig, também conhecida como ALS — esclerose lateral amiotrófica — uma doença degenerativa e incapacitante, ainda sem cura. Embora Jason tivesse concluído, já com algum esforço, as gravações do álbum, ele não estava mais em condições de sair em turnê com a banda.
A Esclerose lateral amiotrófica (ELA) (também designada por doença de Lou Gehrig e doença de Charcot) é uma doença neurodegenerativa progressiva e fatal, caracterizada pela degeneração dos neurônios motores, as células do sistema nervoso central que controlam os movimentos voluntários dos músculos.
É a forma mais comum das doenças do neurônio motor e o termo esclerose lateral refere-se ao "endurecimento" do corno lateral da medula espinhal, no qual se localizam fibras nervosas oriundas de neurônios motores superiores, formando o trato cortico-espinhal lateral.
Os músculos necessitam de uma inervação patente para que mantenham sua funcionabilidade e trofismo, assim, com a degeneração progressiva dos neurônios motores (tanto superiores, corticais, quanto inferiores, do tronco cerebral e medula), ocorrerá atrofia por desnervação, observada, na clínica, como perda de massa muscular, com dificuldades progressivas de executar movimentos e perda de força muscular.
Trata-se de uma doença que ataca o sistema nervoso, até o momento irreversível que degrada as funções básicas do ser humano à medida que avança. A pessoa sente dificuldades de se locomover, comer, falar; perde habilidade dos movimentos, inclusive das próprias mãos, não consegue ficar de pé por muito tempo pois a doença acaba por afetar toda a musculatura. Geralmente atinge pessoas mais velhas, mas há casos de pessoas que apresentaram a doença na faixa dos 20 anos de idade.
No final geralmente depois da perda das faculdades de locomoção, fala deglutição, etc.., o doente acaba por falecer de incapacidade respiratória quando os músculos associados à respiração acabam por sucumbir.
É preciso que o paciente a partir de um determinado estágio da doença, seja acompanhado de perto por outra pessoa porque por si só não tem capacidade de executar as suas tarefas básicas. Como a doença não afeta as suas capacidades intelectuais, o paciente percebe tudo que acontece a sua volta, vivencia tudo lucidamente a doença e a sua progressão, sendo que um dos fatores que mais o atormenta é, não conseguir se comunicar, seja através da fala ou através da escrita, tendo as pessoas que o acompanham que adivinhar quais são suas necessidades em cada momento.
A esperança de vida varia de indivíduo para indivíduo mas em termos estatisticos, mais de 60% dos doentes só sobrevivem entre 2 a 5 anos.
A doença é degenerativa e progressivamente provoca a morte dos músculos voluntários. À medida que o sistema nervoso é afetado a pessoa sente dificuldades acrescidas em se locomover, alimentar, falar e até para respirar. Com o decorrer do tempo há a necessidade de utilização de um balão de oxigênio acompanhado de uma medicação para auxiliar na dilatação dos ductos respiratórios para que possa respirar melhor e causar um pouco mais de conforto. No final a causa de morte acaba sendo insuficiência respiratória.
Por isso os cuidados paliativos são muito importantes para a melhoria da qualidade de vida e dignidade dos doentes.
Jason tinha então uma expectativa de vida de até 5 anos, o que não se concretizou. Ele foi perdendo todos os movimentos do corpo lentamente, até não conseguir mais mover nenhum membro, e seu estado de saúde tornou-se estável em 1997. Entretanto, enquanto ficava em casa, Jason continuou compondo e gravando em seu estúdio particular.
Jason continua mentalmente ativo, se comunica através de movimentos do globo ocular e, com a ajuda de um programa de computador, consegue ainda compor. Foi dessa forma que ele lançou o álbum Perspective, em 1996. Ainda dá entrevistas e é muito bem-humorado, sendo assessorado por sua mãe.
Vários tributos foram lançados em homenagem a Jason Becker, e ele é admirado e idolatrado por muitos fãs, inclusive famosos. Músicas como Altitudes e Serrana são freqüentemente usadas como peças de estudo por guitarristas.
Vamos ao relato de sua experiência com Yogananda e Amma.


Article for Everyone at Self-Realization Fellowship
by Jason Becker 1998

Nothing I could ever do would be equal to a tiny fraction of what you all continue to do for me. Thank you. I love you.
Jason
Nada do que eu jamais poderia fazer seria igual a uma pequena fração do que todos vocês continuam a fazer por mim. Obrigado. Amo vcs. Jason
Hey meninos e meninas. Como vocês provavelmente sabem, eu sou um guitarrista / músico. Vocês também devem saber que tive a esclerose lateral amiotrófica (ALS ou doença de Lou Gehrig) . Em 1989, os médicos me disseram que eu morreria provavelmente dentro de 3 a 5 anos. O que você provavelmente não sabe é porque eu ainda estou vivo, e porque nos últimos quatro anos eu não tenha piorado, só melhorado.. Eu ganhei pelo menos 30 quilos e três músculos, e isto em alguns meses de tratamento com uma alimentação saudável e o tratamento adequado, principalmente o espiritual.
Ammachi é minha guru. Os ensinos de Yogananda são perfeitamente maravilhosos e, como você verá, fazem efeito. Mas para ter Deus e deixar ele viver dentro de si como Amma, não basta falar a respeito e sim botar em prática os ensinamentos do mestre .Nenhuma religião ou organização tem uma patente na iluminação. Siga seu próprio coração.

Antes que eu diga um pouco sobre minha vida e o comece a contar sobre Paramahansa Yogananda e Ammachi, deixe-me falar uma coisa, não é meu intúito dizer a ninguém como viver ou pensar. A maioria de meus amigos não são membros da Self-Realization, embora respeitem Yogananda e Ammachi. Eu apenas penso que esta poderia ser uma história pura que possa aumentar sua fé e amor a vida.

Quando meus pais (meus primeiros gurus) eram jovens, eles leram Autobiografia de um Iogue. Então, enquanto eu estava crescendo, às vezes eu via a foto de Yogananda na capa do livro e pensava: "esse cara tem todas as respostas".
Tive uma carreira de sucesso na música com Marty Friedman e com David Lee Roth.

Eu estava tendo uma sensação estranha na minha perna esquerda, então fui dar uma olhada. Eu fui diagnosticado com ELA (esclerose lateral amiotrófica ou doença de Lou Gehrig) e o médico me deu cinco anos de vida . Os médicos ainda disseram para eu não me incomodar e mudar minha dieta, porque não ia ajudar em nada. Minha família foi esmagada com a notícia, mas eu apenas ri e disse: "De jeito nenhum, eu tenho coisas para fazer e eu sou invencível." Meu pai deixou seu emprego para vir morar comigo em Glendale. Eu fui a Vancouver para gravar o disco de Dave, "A Little Ain't Enough", que ganhou disco de ouro. A fraqueza percorreu o meu corpo ,na minha mão e dedos, sem o conhecimento de todos, mas meu amigo, Steve Hunter sabe que eu mal terminei o álbum com uma mão trêmula. Eu também estava caindo frequentemente. Eu ri sobre isso porque eu achava que iria embora ou seja morrer...

Uma noite sonhei que estava correndo. Quando acordei, eu esqueci que tinha uma perna sem se mover, assim eu andei totalmente normal até que lembrei: "Ah, sim, eu tenho um probelma na perna , ela não se mexe". Então eu imediatamente tropecei. Isso me mostrou que, se você tem controle sobre sua mente, você pode fazer qualquer coisa.

A primeira vez que eu senti que poderia morrer foi quando a minha voz ficou fraca. Entrei em pânico. Eu precisava de algo. Eu tinha feito alguns métodos para melhorar como, quelação, a acupuntura, massagens e dietas. Finalmente eu pensei que precisava de Deus, mas eu nunca me importei ou pensei em Deus. Como eu poderia saber sobre algo desconhecido? Além disso, muitas pessoas religiosas que eu conhecia eram nerds, irritantes, hipócritas no julgamento. Por alguma razão, eu pensei que você tinha que ser assim para ser espiritual (a maioria dos religiosos que conheço agora, cada amigo que eu tenho é uma grande pessoa que tenta viver como Cristo ou seu santo favorito). Eu li o Novo Testamento e, embora mesmo pensando que Cristo era um Deus perfeito, as palavras muitas vezes voavam sobre minha cabeça e eu não achava que poderia conhecê-Lo.

Meu pai e eu começamos a ler o livro de Yogananda, Eternal Man's Quest . Ele ligou para o templo de Richmond e perguntou se alguém poderia vir falar comigo. Devananda veio e me deu o livro de Yogananda, Onde há luz. Ele (e desde então cada monge e monja que vieram à minha casa) meditando comigo, minha família e amigos devotos, todos eles dão-me sabedoria, amor e compaixão, e mesmo sabendo que há estados mais elevados do que a consciência corporal, eles nunca desmereceram minha condição. Esta sabedoria e compreensão de todos os devotos do Mestre colocaram a cereja no topo do bolo, ou seja, o perfeito e bonito ensinamento do Mestre estava comigo agora. Eu tinha encontrado o meu caminho. Meu pai e eu pedimos aulas, fomos ao Templo, quando podíamos, e eu comecei a ler Gita com a interpretação de Yogananda durante horas por dia. Além disso, às vezes, minha amiga, Serrana, minha mãe e meu tio me levavam até o Templo. Lá eu conheci um devoto inspirador, David Dunlop. Ele se tornou um grande amigo. Ele me contou grandes histórias e trouxe grandes amigos a minha vida. Ele vem frequentemente para meditar ou apenas passar o tempo comigo. Sua habilidade para ver o Mestre e a Mãe Divina em todos faz um bem enorme a minha família e me traz conforto e elevada paz. Vemos também o trabalho de Yogananda por meio dele.

Eu só poderia fazer os exercícios na minha cabeça, mas isso nunca me desencorajou porque o Mestre inclui sempre nós, pessoas com deficiência. Ele não nos dá desculpas. Ele sempre diz que se você não pode fazer tudo, você pode, pelo menos, fazê-lo em sua mente. Ele quer dizer que Deus é para todos.

Em 1996, eu mal podia respirar a menos que a cadeira ficasse totalmente reclinada. Falta de ar e muito medo me deu muita raiva a maior parte do tempo. Essa raiva agravou porque eu tenho raiva de mim mesmo por ficar com raiva. Finalmente, em fevereiro de 1997, com relutância, fui buscar uma traqueostomia (um tubo na minha garganta para respirar) e uma gastrostomia (um tubo através do meu abdômen em meu estômago para líquidos). Quando eu cheguei no hospital eu não tinha dormido por três dias. Deitei-me e parei de respirar. Todo mundo estava feliz pois eu finalmente havia descansado. Minha namorada entrou e começou a se preocupar porque eu não respondia a nada. Depois de tentar confortar minha família, o médico finalmente olhou para a minha cara e percebeu que eu precisava de uma máscara de respiração. Eu tive intoxicação por dióxido de carbono. Eu estava perto de ser um vegetal. Eu sinto muito por pessoas cujas vidas escapuliram por erros humanos. Acho que era para ser, mas Dang!

Só me lembro de alguns minutos da semana seguinte. Eu nunca tinha tomado nenhuma droga na minha vida. Tinham-me dado morfina e embora eu precisasse dela e às vezes era bom e me ajudava a dormir, ela me fez sentir ainda mais sem controle e, portanto, muito irritado com todos, especialmente os enfermeiros.
A equipe médica fez tudo por mim e descobriu que só meus pais poderiam se comunicar comigo através de um invento de meu pai, com placas, eu poderia movimentar meus olhos e dizer o que sentia.

Um acontecimento em especial no hospital me modificou para sempre. Uma enfermeira entrava para furar um tubo na minha garganta para sugar o muco dos meus pulmões. Isso me fez começar a tossir violentamente e também sentir uma dor insuportável na minha virilha . Eu senti que se houvesse mais uma aspiração, esta me mataria. Orei muito a Deus sinceramente, não me deixe morrer sem conhecer o ponto de tudo isso, o porquê de muitas coisas e aprender mais sobre Ele. Esta noite às 4:00 da manhã, minha namorada estava muito cansada para acordar. A enfermeira que veio em seguida, sabia que eu estava tentando freneticamente dizer não à sucção, mas ela disse: "Estou apenas fazendo meu trabalho." Ela não acordou minha namorada . Quando ela finalmente deixou o quarto, eu senti que a vida estava deixando meu corpo. Meus olhos estavam abertos, mas eu não poderia mesmo mexer nenhum músculo. Ficou tudo escuro, eu ouvi vozes distantes das pessoas que amo. Depois de todo esse medo e confusão infernal, as coisas boas começaram.

Enquanto eu ainda estava morrendo, eu ouvi o OM. Eu sentia que estava sendo embalado por algo familiar. Em uma vibração maravilhosa - tal poder, amor, sabedoria infinita, tudo para ser conhecido e sentido se eu pudesse compreender um pequeno pedaço de sua perfeição que abrange todos. Durante estes momentos mais felizes da minha vida, algo em meu coração disse: "Senhor, eu não estou pronto para ir". Imediatamente eu senti que a vida voltava a meu corpo. Meus olhos estavam incontrolavelmente fixos no ajña chakra . Sem precisar do meu corpo, a sensação mais clara do que a "vida", eu passei por uma porta com o olho do espírito . Eu creio que Deus estava me mostrando o "céu".

Era a minha idéia de um lugar perfeito. Tudo o que eu pensava era manifestado , ou seja plasmado no astral. Na minha cabeça eu criei uma guitarra e mãos para tocar. De minha mente fluía sem esforço a música mais bonita que eu já ouvi. Acho que Deus estava me mostrando o potencial humano. Nós trabalhamos tão duro, mas se a entrega a Deus for total, não há limites para as nossas capacidades. Depois que Deus terminou de ensinar algo a este idiota egoísta, meus olhos caíram de volta à minha namorada dormindo em uma cama no hospital. Eu lentamente me recolhi e percebi a incrível bênção que havia recebido, e senti só o amor. Eu até tentei lembrar de raiva e dor, mas todos eles foram embora. Quando a enfermeira voltou e minha namorada acordou, um brilho encheu a sala. Nós todos apenas sorríamos. Todos nós nos tornamos bons amigos e conversamos muito. A partir de então fiz muitos enfermeiro e médico amigos .



Se eu não tivesse lido as lições de Yogananda, esta graça de Deus , poderia ter acabado com essa experiência. Mas agora eu fui tocado pelas palavras do Mestre e estas foram comprovadas. Cada momento que eu pudesse, eu praticava as técnicas e por vezes eu as vivenciei em meu coração. Deus me deu muitas lições mais e visões. As palavras são insuficientes para descreve-las. Estou sem fala no amor de Deus e da perfeição. Ele me mostrou que eu nunca realmente deixei as pessoas que eu amo. E Deus é brincalhão. Quando eu ia começar a embalar para dormir, Ele delicadamente mas com firmeza bateu em meu pé para me acordar. Após alguns momentos abri os olhos para ver, mas ninguém estava lá, eu sabia que ele estava brincando comigo. Deus não quer que eu durma, Ele estava se divertindo em nosso intercâmbio amoroso. Este grande casal que formamos nas semanas que se passaram, eu sempre sei que Deus está comigo, me guiando, pronto para jogar,proteger, ensinar e amar.

Eu pendurei fotos dos Gurus da SRF no meu quarto de hospital. A sala tinha pouca iluminação e música de meditação para praticar o quanto pudessel. O pessoal sempre entrava em minha sala para relaxar e conversar com minha família para ficar longe do ambiente hospitalar agitado.

Eu falo sobre mim mesmo fazer as coisas, mas agora estou vendo que DEUS faz tudo. Os médicos queriam que eu ficasse em um hospital para todo sempre até morrer. Minha mãe percebeu que ela estava lidando com uma pessoa que tinha esquecido o coração. Mamãe brigou com amor, confiança e determinação pacífica. Claro que ela ganhou e eu fui para casa. Com uma alimentação regada a frutas frescas e sucos vegetais, vitaminas, nozes e uma vez por semana, ovos, feijão ou algo cozido. Eu às vezes jejuo até no suco. Desde essa dieta, eu ganhei mais de 18 kilos. Pratico Kriya Yoga desde outubro de 1997, apenas em minha mente. É impressionante mesmo o efeito e o bem que me faz.


Agora que meus pais viram as infinitas maneiras de resposta e amor de Paramahansa Yogananda e Mãe Divina, literalmente, comigo e com eles, fielmente lêem as lições e sabem que eles não estão sozinhos. O Richmond SRF Templo sempre nos envia belas flores.
As pessoas se perguntam como eu posso ainda ser feliz e ter vontade de viver não me movendo, não falando e respirando através de uma máquina, a resposta é simples, o amor de Deus , dos meus fãns, de familiares e amigos. A Kriya Yoga que pratico 4 horas por dia, onde sinto uma paz muito grande e sei que o Mestre está ao meu lado assim como a Grande Mãe.



Um dia eu estava meditando. Minha mãe parou na minha frente e, então, algo a fez olhar para mim. Em vez de mim, Yogananda estava na minha cadeira de rodas com um tubo em sua garganta. Ele estava respirando como eu, olhando para a minha mãe com um grande sorriso no rosto. Mamãe fechou e abriu os olhos para ver-me e de repente tudo se esvaiu. Acho que Yogananda estava me dando uma pausa em minha dor , aí senti como que caísse ,era ele deixando o meu corpo.



O Mestre me ensinou a amar e respeitar todas as religiões. Graças a Yogananda estou aberto a aprender com Jesus e todos os santos que eu li em seus livros. Algumas vezes eu tenho ido ver uma grande alma, Mata Amritanandamayi, ou Ammachi. Desde que eu tenho uma foto de Yogananda em minha cadeira de rodas, as pessoas sempre vêm até mim falar sobre ele e saber sobre a SRF Richmond Templo. Um dia Ammachi esteve aqui, estava me sentindo um pouco culpado porque eu sinto amor por ela (embora o Mestre está sempre em minha mente). Quando cheguei em casa, havia uma carta pessoal do Centro da Mãe com pétalas de rosa abençoadas no santuário de Guruji para mim, Mestre estava dizendo, "Eu estou sempre com você onde você estiver. Não importa a imagem, TODOS SOMOS UM .Eu sei o que está em seu coração."

Obs: Esta tradução foi livre, seguindo o meu coração e conhecendo Jason há muitos anos. Sei como ele pensa e se expressa, sei de todo seu potencial de amor e dedicação a Yoganandaji.


Aqui acaba a primeira etapa de relatos deste doce ser, abençoado e cuidado com todo amor que Yogananda tem e toda luz que podemos sentir sendo emanadas a ele e sua família.
No próximo texto irei contar um poquinho da experiência de Jason e seus encontros com AMMA.
Um beijo com amor e que fique aqui registrado o quanto somos grandes internamente... Quando resgatamos nossa essência divina, nada nos atormenta... somente a luz e a paz tomam conta de nosso SELF...

OM YOGANANDAJI OM!!!!!!!

viernes 11 de septiembre de 2009

RAMANA MAHARISHI 2

>


Aqui vai mais um relato de puro amor de meu amado Wagner Borges para seu querido amigo Ramana Maharishi

Sintam o amor que toca fundo a todos nós .

Om Parama Prema Rupaya Namaha

RAMANA MAHARISHI – UM GIGANTE-MENINO NAS FLORES DO ETERNO II

Ah, Ramana!

Quantas coisas em seu olhar...

O despertar da consciência;

E aquela Paz, que não é desse mundo.

E eu vejo você, em espírito.

Pois os meus olhos não vêem além...

Então, vejo-o com o coração.

Enquanto um Grande Amor me chama...

E eu penso nas dores da humanidade.

Os meus olhos vêem o mundo...

Mas o meu coração vê o mundo em seu olhar.

Em seu silêncio, eu sinto um abraço sutil.

E sei do bem que você faz anonimamente.

Ah, Ramana, o mundo não vê você.

Mas você vê todo mundo e abençoa a todos.

E eu vejo isso em seu olhar, que é só silêncio.

Enquanto um Grande Amor permeia a tudo.

E eu fico aqui, tímido, igual criança.

Como uma pequena estrela olhando o infinito...

Admirado, também me lembro de Jesus.

Ele ensinava que os olhos são as candeias do corpo.

Pois, através deles, se reflete o que está dentro do Ser.

E o Rabi estava certo: eles são as janelas da alma.

Então, o que dizer do seu olhar?

Os seus olhos são candeias do amor iluminando os homens?

Ah, Ramana, eu vejo o seu olhar sereno...

E novamente penso em Jesus – e no mundo.

E o Amor me sussurra algo no coração.

E também me lembro de Krishna – e me admiro mais...

E a alegria me possui... De corpo e alma.

E, de alguma forma, o olhar deles está no seu olhar.

Ah, Ramana, o Amor não tem fronteiras ou credo.

Só sabe amar...

E os seus olhos são candeias, sim.

Cheios daquela paz que não é desse mundo.

Eu vejo o que um Grande Amor fez com você.

Porque o seu olhar atravessa os planos...

E abençoa aos homens e espíritos, em silêncio.

E eu fico aqui, mais tímido ainda, igual criança.

Como uma pequena estrela olhando o infinito...

Admirado, com os olhos brilhando igual diamante.

P.S.:

Ramana, os seus olhos são candeias do amor.

E o seu brilho iluminou meu coração, mais uma vez.

E eu virei criança-estrela olhando para o infinito...

No Amor.

Na Fé.

Paz e Luz.


- Wagner Borges – olhando a vida como o Amor olha...

São Paulo, 28 de agosto de 2009.

miércoles 9 de septiembre de 2009

video

viernes 28 de agosto de 2009

Ramana Maharishi



RAMANA MAHARISHI – UM GIGANTE – MENINO NAS FLORES DO ETERNO

Namaste meus amores, hoje compartilho com vocês uma linda experiência um reencontro no astral de duas almas amigas... sinta o amor e a felicidade de meu amigo e amado professor Wagner Borges.

Oh Arunachala, tu extingues o ego daqueles que meditam em Ti no Coração!”
- Sri Ramana Maharshi -

Eu olhei e vi você no meio das flores.
E você ria e conversava com elas.
Ah, meu caro, você parecia mais um menino.

E pensar que muitos o imaginam como um mestre sisudo e severo.
Talvez porque, em seus últimos anos, você usasse barba.
Mas eu o vi contente demais... Por causa das flores.
Em sua simplicidade, você me pareceu mais bacana do que nunca.

Quantos devotos gostariam de vê-lo, mas, eles riem tão pouco.
Talvez, por isso, você prefira conversar com as flores, sei lá.
Ou, quem sabe, elas compreendam as coisas do espírito melhor do que eles.



Você não tinha filosofia alguma, somente lucidez e paz.
Arunachala (2) era apenas uma montanha sagrada lá na Índia.
Mas eu vi uma cordilheira inteira em seu semblante sereno...
E os devas (3) cantavam o amor na caverna do seu coração.
E os seus olhos tinham o brilho das estrelas em florescência.

Ah, Ramana, você deve ter colocado as flores em samadhi... (4)
Ou, será que foram elas que o levaram à consciência cósmica?
Se eu tivesse a habilidade de umTagore (5), faria um poema para você.
Sim, escreveria sobre você rindo com as flores e vendo estrelas.

Mas eu só sei sentir as coisas, em espírito... Pois Brahman (6) me fez assim.
Assim como fez caras especiais, como você, um gigante da consciência.
E eu sou só admiração e gratidão, por ver um gigante igual menino feliz.



Meu amigo, por favor, dê um beijo nas flores por mim.
E muito obrigado pelo seu olhar silencioso, que sempre me diz tudo.
Valeu, Ramana!

P.S.:
Ah, Ramana, eu vou vivendo e aprendendo...
E, mesmo no bulício do mundo, às vezes, eu também vejo estrelas.
E faço o que você ensinou: penso em Brahman... Dentro de todos os corações.

OM.
Paz e Luz.

- Wagner Borges – pequeno betume ardendo no fogo do espírito...
São Paulo, 30 de julho de 2009.




1. Bhagavan Sri Râmana Mahârshi (30 de dezembro de 1878 — 14 de abril de 1950), mestre de Advaita Vedanta e homem santo do sul da Índia. Considerado um dos maiores sábios de todos os tempos, tornou-se conhecido no Ocidente especialmente através do livro "A Índia Secreta", do jornalista e escritor inglês Paul Brunton, que retratou os ensinamentos de Ramana, transmitidos, na maioria das vezes em silêncio absoluto, aos seus discípulos.
Shri Ramana Maharshi foi o grande representante da sabedoria milenar da Índia no século XX. Isso não significa que ele foi um acadêmico que sabia de cor e salteado os textos sagrados da religião, mas sim que viveu e mesmo personificou à perfeição tal sabedoria. Na verdade, ele não escreveu nenhum livro. Ensinava o jnâna, ‘via do conhecimento espiritual’ mais puro. Ao mesmo tempo, ressaltava que as outras duas outras grandes vias espirituais, a do karma (das ações) e da bhakti (devoção) estavam contidas no jnâna.
Obs.: Carl Gustav Jung escreveu um extenso texto sobre Ramana Maharshi, que pode ser acessado no excelente site www.vedanta.pro.br, no seguinte endereço específico:
http://www.vedanta.pro.br/?p=514.




2. A montanha sagrada de Arunachala fica perto da cidade de Tiruvannamalai, no sul da Índia. É o lugar onde viveu Ramana Maharshi, o mestre do silêncio e da simplicidade de ser.
3. Devas – do sânscrito – divindades; seres celestes; anjos.
4. Samadhi – do sânscrito - expansão da consciência; estado de consciência cósmica.
5. Rabindranath Tagore - escritor indiano, nasceu em Calcutá em 1861 e desencarnou em Bengala em 1941. Depois de educação tradicional na Índia, completou a formação na Inglaterra entre os anos de 1878 e 1880. Começou sua carreira poética com volumes de versos em língua bengali. Em 1913, recebeu o prêmio Nobel de literatura. Desde então, traduziu seus livros para o inglês, a fim de lhes garantir maior difusão. Em suas poesias, Tagore oferece ao mundo uma mensagem humanitária e universalista. Seu mais famoso volume de poesias é Gitânjali (Oferenda poética).
Fundou, em 1901, uma escola de filosofia em Santiniketan, que, em 1921, foi transformada em universidade.
6. Brahman – do sânscrito - O Supremo, O Grande Arquiteto Do Universo, Deus, O Amor Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher, mas pura consciência além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-Lo de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele é Pai-Mãe de todos.
Obs.: Para enriquecimento desses escritos, deixo na sequência um texto genial de Tagore, onde ele fala das flores.



A ESCOLA DAS FLORES
- Por Rabindranath Tagore –


As nuvens de tempestade rondam no céu, as chuvas de junho se precipitam, e o vento úmido do leste corre pelo deserto para tocar sua música na flauta dos bambus. Então, de repente, e não se sabe de onde, surgem multidões de flores, dançando sobre a relva em louca alegria.
Mãe, acho que as flores vão a uma escola embaixo da terra. Elas têm suas aulas de portas fechadas e, se quiserem sair antes do tempo para brincar, a professora as põe em um canto, de castigo. Quando cai a chuva, porém, é dia de festa para as flores.
Os galhos se entrechocam na floresta, as folhas murmuram ao sabor do vento selvagem, as nuvens trovejantes batem palmas com suas mãos gigantes, e as flores-crianças saltam fora correndo, vestidas de amarelo, rosa e branco...
Mamãe, bem sabes que a casa delas é no céu, onde estão as estrelas.
Não percebeste a vontade que elas têm de ir para lá? Não sabes por que correm tanto? Pois eu sei para quem as flores levantam os braços: elas têm a mãe delas, assim como eu tenho a minha!

- Texto extraído da excelente coletânea de poemas inspirados de Tagore, “Poesia Mística – Lírica Breve”, lançada no Brasil pela Editora Paulus.

Um beijo de flor com amor!!!!


sábado 22 de agosto de 2009

JAI MA



Sri Ma Anandamayi é mais uma das grandes personalidades religiosas manifestadas na Índia do século XX. Seu nome de família era Nirmala Sundari Devi, nasceu na Índia em 30 de Abril de 1896 em uma vila onde hoje é Bangladesh. Sua família Brahmane com certo prestígio, porém sem grandes posses possibilitou-lhe uma infância alegre, tornando-se uma menina de encantadora beleza e muito querida por todos que à conheciam.

Não havia completado ainda 13 anos de idade quando foi casada com Sri Ramani Mohan Chakravarty, que mais tarde passou a ser conhecido como Bholanath, por ser esse o nome pelo qual Sri Ma costumava chamá-lo. Conforme o costume, a criança-noiva foi viver sob o teto da família do marido, foi para a casa do irmão do noivo, onde viveu durante 4 anos. De uma infância alegre e descontraída foi atirada em uma situação onde lhe era exigida disciplina e dedicação à novas responsabilidades, ajudando sua cunhada nos trabalhos da casa: lavar, limpar, cozinhar, carregar água, etc. Mas nada disso alterou o semblante nem diminuiu o bom-humor daquela jovem que sempre se demonstrava feliz em ser útil. Tal simplicidade e alegria chegou a preocupar um pouco sua nova família, pois poderia ser o indício de uma mente simplória. Levou algum tempo para que percebessem que se tratava de alguém muito bem centrada e equilibrada, obediente porém não sugestionável por outros, alguém de admirável compaixão por tudo e por todos; família, vizinhos, animais e plantas. Aqueles que a conheciam podiam sentir o toque mágico de seu sincero interesse pelo bem estar de todos.

Ao completar 18 anos, com o mútuo consentimento de ambas as famílias ela mudou-se para Ashtagram para ficar com o marido onde ele vivia e trabalhava. Muito foi escrito e comentado à respeito da pureza e perfeito celibato deste casamento, porém são palavras inadequadas já que não foram levantadas por quem caberia dizer algo sobre isso.

No mesmo ano, devido a uma transferência no trabalho, Bholanath foi para Bajitpur, enquanto que Sri Ma ficou na casa dos pais por três anos antes de ir também para lá.

A cidade de Bajitpur tem um especial significado para os devotos de Sri Ma, pois foi onde em 1918 teve início a sua atividade espiritual aos olhos do mundo após ter recebido uma inspiração divina. Em suas próprias palavras Sri Ma relata:

"Um dia em Bajitpur eu fui ao poço perto da casa onde vivíamos para o meu banho diário, quando jogava água em minha cabeça a Kheyala veio a mim: Como seria viver o papel de um Sadhaka? E assim a Lila teve início."

Kheyala é uma palavra muito usada por Sri Ma, significa uma inspiração elevada, um sentimento espontâneo, uma determinação divina, Sadhaka é um termo para designar o aspirante espiritual e Lila significa brincadeira divida ou suprema diversão.

À partir daquele dia, após servir o jantar e cuidar de seus afazeres domésticos, pedia permissão ao marido para retirar-se a suas práticas espirituais.




Normal 0 21 false false false ES-UY X-NONE X-NONE MicrosoftInternetExplorer4

Era uma moça singela sem nenhuma educação formal, nunca tinha tido um guru ou qualquer instrutor yogue, porém Bholanath constatou que ela simplesmente sentava-se e mergulhava nas profundezas do Ser.

No começo repetia o mantra "Hari", pois era uma feliz reminiscência de infância, um mantra que havia aprendido com o pai. Certo dia Bholanath perguntou: "Por que você diz "Hari, Hari, Hari"?

Nós não somos Vaishnavas!" Sri Ma respondeu: "Devo então dizer: Siva, Siva, Siva?" Bholanath ficou satisfeito. A troca da palavra em nada alterou a prática de Sri Ma. Após alguns dias Bholanath percebeu que Sri Ma estava assumindo certas posturas yogues das quais ela não tinha nenhum conhecimento prévio. E à medida que os anos passaram o enigma aumentou ainda mais; apesar de nunca ter estudado nem recebido instrução formal, Sri Ma demonstrava profundo conhecimento, expunha à doutores e estudiosos discutindo com autoridade sobre temas difíceis e controvertidos.
Quando Sri Ma se dedicava aos mantrans mergulhava tão profundamente na prática, que parecia se tornar uma com o som que emitia, todo o seu corpo entrava em sintonia com esse ritmo transcendental, movia-se em um ciclo espontâneo emanando uma radiação de santidade tão genuína que quem presenciasse poderia sentir essa inegável atmosfera de bênçãos. Bholanath compreendeu rapidamente que sua pequena esposa era muito mais do que ele imaginava. Tanto que tornou-se seu discípulo e guardião!

Durante os seis anos seguintes Sri Ma aprofundou-se em vários tipos de práticas espirituais (sadhanas), referindo-se a este período de sua vida certa vez ela disse: "Incontáveis são as sadhanas pelas quais o homem pode trabalhar para obter a auto-realização e todas estas variedades revelaram-se a mim como parte de mim mesma." Ela falava à estudiosos das doutrinas, buscadores espirituais, ascetas, e todos se maravilhavam pelo seu brilhante e detalhado conhecimento. Anos mais tarde, Sri Ma disse que este conhecimento era ainda uma pequena fração de tudo aquilo que se havia revelado durante seus anos de sadhana.

Em 1924 mudaram-se para Dhaka. Os rumores de uma jovem dotada de dons espirituais cresceram e aos poucos os visitantes vinham cada vez mais, tornando-se devotos por toda a vida. Devido aos costumes rígidos daquele tempo, Sri Ma era um tanto quanto inacessível ao público masculino, Bholanath era a pessoa no comando e no seu justo direito mantinha o respeito ao redor de Sri Ma.

Em Dhaka Sri Ma viveu em uma atmosfera de acontecimentos miraculosos, pessoas vinham de longe até ela em busca de curas, Sri Ma frequentemente entrava em samadhi permanecendo neste estado por horas totalmente esquecida de tudo ao seu redor, mergulhada em bem-aventurança. Geralmente Bholanath tinha que trazê-la de volta do transe, chamando-a repetidas vezes. Ela sempre obediente ao marido, abria os olhos e dizia: "Você quer que eu me levante?" Ele então pedia que algumas mulheres acompanhantes ficassem falando com ela, massageando suas mãos até que ela despertasse totalmente daquele estado de "intoxicação" por Deus, se é que se pode definir assim.

Esta oscilação entre as dimensões terrena e transcendental era uma constante na vida de Sri Ma, seus seguidores habituaram-se a vê-la alternando entre os dois mundos, num momento ela estava presente, radiante participante, num outro momento retirava-se completamente para seu mundo interno.

Sri Ma e Bholanath viajaram muito extensivamente a lugares de peregrinação, os devotos em Dhaka haviam construído um pequeno Ashram para Sri Ma, mas nem mesmo isso impediu-a de deixar a cidade em 1932 acompanhada por Bholanath e Bhaiji, seu mais importante discípulo e seguidor. Foram para a região de Dehra Dun, onde surgiram novos admiradores e seguidores.

Nessa época o próprio Mahatma Gandhi tomou conhecimento de Sri Ma através de um devoto e então enviou um colaborador seu para visitá-la. Em outra ocasião, Sri Ma viajou a Wardha quando então conheceu o próprio Gandhi em pessoa. Anos mais tarde Indira Gandhi também estabeleceu estreito contato com Sri Ma.

Aquela mesma agitação de gente reunida em Dhaka acontecia novamente em Dehra Dun, haviam festivais religiosos reuniões para cantos sagrados (Kirtans) e Sri Ma era a luz central dessas reuniões. Esta atmosfera festiva teve que enfrentar duas crises: em Agosto de 1937 Bhaiji, o mais dedicado devoto de Sri Ma deixou este mundo. Não muito depois, em Maio de 1938, o mesmo aconteceu com Bholanath, seu marido.

Contrariando a expectativa dos seguidores, Sri Ma não demonstrou sinais de tristeza, ela permaneceu serena como sempre e disse:

"Vocês lamentam e choram quando uma pessoa vai para uma outra sala da casa? A morte está inevitavelmente conectada à vida. Na esfera da imortalidade, que significado tem a perda e a morte? Ninguém está perdido para mim."



Fazia parte da "Kheyala" de Sri Ma mover-se continuamente, sem planejamento algum, de cidade em cidade ela seguia sempre rodeada por multidões de devotos, pessoas de diferentes idiomas e províncias. Quando a situação se tornava demasiada incontrolável ela mudava-se novamente. Os devotos construíam-lhe Ashrams em muitas cidades, mas isso nunca a impediu de seguir para novos lugares. Mesmo assim, aos poucos a "Sangha" (comunidade de devotos) foi se organizando.

Em 1940 Sri Ma já era reconhecida e respeitada entre personalidades de considerável renome na Índia, tendo sido reconhecida por ordens monásticas como sendo a quintessência da tradição Upanishadica.

Em muitos eventos religiosos aos quais compareciam maharajas, príncipes e várias personalidades de renome do meio artístico e político, a presença de Sri Ma sempre ocuparia um lugar de extraordinário glamour. Ela conheceu quase todos os dignatários políticos após a independência da Índia, suas conversas com eles eram sempre sobre Deus e sobre as aspirações divinas dos homens.

Sri Ma falava muito sobre a importância de se observar a prática mensal, senão à semanal de retiros e jejum, em 1952 Sri Jogibhai o então presidente da Sangha Sri Anandamayee, promoveu no Ashram de Varanasi o primeiro "Samyam Saptah", um retiro de sete dias com a presença de Sri Ma, no qual os devotos podiam praticar coletivamente. Os participantes observavam jejum total no primeiro e no último dia e nos demais dias havia uma única refeição por dia servida pela própria Sri Ma. As atividades de cada dia seguiam a orientação de Sri Ma; havia a prática diária individual de meditação e mantrans, após o que todos se reuniam para ouvir leituras ou discursos das escrituras sagradas, intervalo para almoço e descanso e novas reuniões ao anoitecer.

A popularidade destes retiros era fenomenal, vinha gente de muito longe, pessoas comuns e mahatmas, a melhor parte do dia era às 21:30 quando Sri Ma respondia às questões da assembléia. Aquela breve satsanga com Sri Ma alimentava as práticas do dia que passava rápido como um relâmpago.

Conforme disse Swami Chinmayananda; assim como quando o sol brilha não há necessidade de se definir o que vem a ser um raio de luz, da mesma forma Sri Ma é compreendida com simplicidade, sem necessidades de demonstrações.

Apesar de todo glamour e assédio por todos onde quer que fosse, ela viveu uma vida de asceta. Durante muitos anos comia em dias alternados uma única refeição ao dia, quando alguém se preocupava com sua alimentação ela dizia: "Não é necessário comida alguma para preservar o corpo. Eu me alimento para manter uma aparência e um comportamento normal, de forma que você não se sinta inconfortável comigo."

Sri Ma não dava importância às disputas entre religiões, raças, sexos etc, para ela tudo era O Um. Pureza na fala, nas ações e nos pensamentos é o ideal para todos aqueles que buscam a realização divina.
Quando conversava com pessoas jovens e modernas, ela se
href="file:Normal 0 21 false false false ES-UY X-NONE X-NONE MicrosoftInternetExplorer4

mostrava totalmente consciente das tendências atuais, mesmo assim seus interlocutores não conseguiam fazê-la concordar com suas demandas. Bem humorada, ela sempre fazia-os aceitar o seu pedido de procurar Aquele que está escondido na caverna de cada coração.

Nos últimos anos Sri Ma foi tornando-se mais retirada do público, diziam que era devido a não estar bem de saúde. Parece que não era a "Kheyala" de Sri Ma ser imune à doença, muitas vezes ela disse:
"Porque vocês se sentem tão contrariados em relação às doenças? Assim como vocês elas também têm acesso a este corpo! Alguma vez eu disse para vocês irem embora?" Algumas vezes ela atendia aos pedidos e preces dos devotos sendo vista executando certas práticas yogues para se ver livre de alguns de seus males, mas no fim da década de 70 e em 1981 ela não mais respondeu a nenhuma prece ou apelo para cuidar de sua recuperação. Ela cumpria seus compromissos sempre serena, mas foi aos poucos se retirando das massas e os devotos foram se acostumando a ter menos acesso e ver menos frequentemente Sri Ma.

Às preces para a sua recuperação ela simplesmente respondia: "Não há kheyala." Numa ocasião, Sri Jagadguru Sankaracharya de Shringeri, Sarada Peetham, quis convidá-la para uma cerimônia anual "Durga Puja" e insistiu que ela devia se livrar rapidamente daquelas doenças para comparecer ao evento.

Ela respondeu no seu usual tom sereno e amoroso; "Este corpo não tem doença alguma paizinho, ele está apenas sendo chamado de volta ao imanifesto. Tudo que você vê acontecendo agora está conduzindo à este evento." No dia seguinte ao desejar-lhe boa viagem, ela novamente explicou sua impossibilidade de viajar dizendo: "Como Atma, eu sempre estarei com você."

Como uma mãe que sabe que os filhos têm que caminhar sozinhos, Sri Ma foi se afastando dos devotos para que eles não sentissem sua falta. Não respondia às cartas, entretanto os correspondentes sentiam em seus corações suas questões respondidas. Não atendia às suas funções usuais no Ashram, e parou de se alimentar por vários mêses tomando apenas um pouco de água ocasionalmente.
Seus últimos dias foram no Ashram de Kishenpur. Ela não fez nenhuma despedida apenas disse "Sivaya namah" na noite do dia 25, este mantra era a indicação da dissolução final de suas ligações com o mundo. Ela tornou-se imanifesta na Sexta feira, 27 de Agosto de 1982 em torno das 20:00h.




Sri Ma esteve entre nós em um tempo conturbado. ela permaneceu sempre junto ao seu povo, mantendo vivos os ideais milenares das tradições da Índia. Ela compreendeu as implicações existenciais dessa nossa era tecnológica, e ao seu modo colocou esta realidade em uma perspectiva adequada àqueles que desejam ver além disso tudo. Em resumo, sua mensagem é que Deus está tão presente hoje entre os homens como esteve nas eras passadas.


[1] Adaptado à língua portuguesa à partir do texto de Bithika Mukerji e algumas passagens relatadas em Life History


martes 4 de agosto de 2009

Minha Entrevista

video


Entrevista realizada por www.caosarte.com

Também você pode assistir ao video em youtube clicando aquí
If you want to see my interview in youtube click here
http://www.youtube.com/watch?v=1lUtx2eJ39w&feature=channel_page